segunda-feira, outubro 10, 2005

letras #1



«O Infinito

Sempre gratas me foram esta colina tão só
E esta sebe alta e extensa
Que não deixa ver o último horizonte.
Mas quando me demoro a contemplá-la
O meu espírito gera para além dela
Intermináves espaços, silêncios sobre-humanos
Uma paz escura, profunda; e pouco falta
Para o terror me assaltar o coração. E quando
Ouço o vento sussurrar nas plantas
Comparo o infinito de tanto silêncio
A esta voz, e lembro-me da eternidade
Das estações mortas, do tempo presente
E, vivo, do seu murmúrio brando. Assim
Se aniquila o meu espírito na imensidão:
E é-me grato naufragar neste mar.»

Itália
Giacomo Leopardi (1798-1837)
Trad.: Ernesto Sampaio

in Rosa do Mundo. 2001 poemas para o futuro, 3ª ed., Assírio & Alvim, 2001.

(fotog. Luísa R.)

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2 comentários:

Anónimo disse...

:)
Sempre caro mi fu quest'ermo colle
e questa siepe....

Nice to find Leopardi translated into Portuguese. I've got friends from Portugal and I love your language (I wish I could speak it...is'so sweet! Così dolce!).

YOu're invited to my blog www.lanticameradelcervello.splinder.com, if you can understand a little Italian!

Um saludo!

angel disse...

Leopardi en portugués, en la dulzura de tu idioma, adquiere una sonoridad especial, quizá más dulce y terso. Gracias por ello y felicitaciones por tu blog.
Saludos.