domingo, setembro 24, 2006


Koen van den Broek, San Luis Potosi, 2003

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Koen van den Broek, Early Evening, 2003

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Koen van den Broek, Garage, 2002

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quinta-feira, setembro 21, 2006


Emily Cole, Primary Destination - Duke St. Car Park, No. 29, 2003

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Emily Cole, Hinterlands, 2005

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Emily Cole, Hinterlands, 2005

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As cidades e os sinais. 1.

O homem caminha durante dias pelo meio de árvores e pedras. Raramente o olho se detém sobre alguma coisa, e só quando a reconhece pelo sinal de outra coisa: uma pegada na areia indica a passagem do tigre, um pântano anuncia um veio de água, a flor do hibisco o fim do Inverno. Tudo o resto é mudo e intercambiável; árvores e pedras são só o que são.
Finalmente a viagem conduz à cidade de Tamara. Entra-se nela por ruas pejadas de letreiros que sobressaem das paredes. Os olhos não vêem coisas mas sim figuras de coisas que significam outras coisas: a tenaz indica a casa do arranca-dentes, a garrafa a taverna, a alabarda o corpo da guarda, a balança romana a ervanária. Estátuas e escudos representam leões golfinhos torres estrelas: sinal de que qualquer coisa - sabe-se lá o quê - tem por símbolo um leão ou golfinho ou torre ou estrela. Outros sinais avisam do que num local é proibido - entrar no beco com as carroças, urinar atrás do quiosque, pescar com cana do alto da ponte - e do que é lícito - dar de beber às zebras, jogar à bola, queimar os cadáveres dos parentes. Da porta dos templos vêem-se as estátuas dos deuses, representados cada um com os seus atributos: a cornucópia, a clépsidra, a medusa, pelo que o fiel pode reconhecê-los e dirigir-lhes as orações certas. Se um edifício não tiver nenhum letreiro ou figura, a sua própria forma e o lugar que ocupa na ordem da cidade bastam para indicar a sua função: o palácio real, a prisão, a fundição da moeda, a escola de aritmética, o bordel. Até as mercadorias que os vendedores pôem em exposição nas bancas valem não por si próprias mas como sinais de outras coisas: a fita bordada para a fronte quer dizer elegância, a liteira dourada poder, os volumes de Averróis sapiência, a pulseira para o tornozelo volúpia. O olhar percorre as ruas como páginas escritas: a cidade diz tudo o que devemos pensar, faz-nos repetir o seu discurso, e enquanto julgamos visitar Tamara limitamo-nos a registar os nomes com que ela se define a si mesma e todas as suas partes.
Como realmente é a cidade sob este denso invólucro de sinais, o que ela contém ou oculta, o homem sai de Tamara sem tê-lo sabido. Fora dela espraia-se a terra vazia até ao horizonte, abre-se o céu por onde correm as nuvens. Na forma que o acaso e o vento dão às nuvens o homem fica logo absorvido a reconhecer figuras: um veleiro, uma mão, um elefante...

In Italo Calvino, As Cidades Invisíveis, Ed. Teorema, 1993

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domingo, setembro 17, 2006


Pablo Picasso, Landscape with Bridge, Paris, 1909

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sábado, setembro 16, 2006

Era uma vez um pintor que tinha um aquário com um peixe vermelho. Vivia o peixe tranquilamente acompanhado pela sua cor vermelha até que principiou a tornar-se negro a partir de dentro, um nó preto atrás da cor encarnada. O nó desenvolvia-se alastrando e tomando conta de todo o peixe. Por fora do aquário o pintor assistia surpreendido à chegada do novo peixe.
O problema do artista era que, obrigado a interromper o quadro onde estava a chegar o vermelho do peixe, não sabia o que fazer da cor preta que ele agora lhe ensinava. Os elementos do problema constituíam-se na observação dos factos e punham-se por esta ordem: peixe, vermelho, pintor - sendo o vermelho o nexo entre o peixe e o quadro, através do pintor. O preto formava a insídia do real e abria um abismo na primitiva fidelidade do pintor.
Ao meditar sobre as razões da mudança exactamente quando assentava na sua fidelidade, o pintor supôs que o peixe, efectuando um número de mágica, mostrava que existia apenas uma lei abrangendo tanto o mundo das coisas como o da imaginação. Era a lei da metamorfose.
Compreendida esta espécie de fidelidade, o artista pintou um peixe amarelo.

In Herberto Helder, "Teoria das Cores", in Os Passos em volta, ed. Assírio e Alvim (8ª Edição), Lisboa, 2001 (texto publicado inicialmente em 1962, com alterações em edições posteriores)

Via Ultraperiférico


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sexta-feira, setembro 15, 2006

Grandes Mestres da Pintura - De Fra Angelico a Bonnard.
Obras-Primas da Colecção Rau.


No Museu Nacional de Arte Antiga.
Prolongamento do prazo da exposição até 15 de Outubro.



Giorgio Morandi, Still Life with Bottle and Glasses, 1945-1955



Albert Marquet, The Old Marseille Harbour, 1916



Gustave Caillebotte, The Snow-covered Rooftops, c. 1878
(Infelizmente, não consegui arranjar melhor imagem para pôr aqui.
Quanto ao quadro do sr. Caillebotte, vale a pena ver. Gostei muito)




Claude Monet, The Wooden Bridge, 1872



Bernardo Bellotto, The Tower of Marghera, 1735-42

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Há quase um mês que não toco nas tintas.
Está na altura de voltar.


Georges Braque, Woman Seated at an Easel, 1936

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domingo, setembro 10, 2006

Em busca de tempo, se tivesse tempo para isso...


Já que estas férias eram mesmo para descansar, decidi aproveitar a ocasião para arrumar a papelada aqui por casa... (incoerências...)
Ele era livros amontoados pelo chão, revistas que nunca cheguei a ler, etc.
A revolução foi tal que, agora, não consigo ver luz ao fundo do túnel.
Quem me manda a mim ter ideias parvas...

Por outro lado, ando a viajar no tempo.
Ainda guardo os meus livros de quando era pequenina. E de quando era adolescente. E por aí adiante.
De uma forma que não era bem a que tinha em mente quando comecei as férias, acabei por andar em busca do tempo.
Em busca do tempo passado, mas não perdido.



Dentro do espírito revivalista... e para retomar um pouco a ordem caseira, queria ter um nariz igual ao do «Casei com uma feiticeira» e, de repente, ficava tudo arrumadinho...



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sábado, setembro 09, 2006

Em busca do tempo.
De um tempo mais lento.


Károly Ferenczy, The woman painter, 1903



Vincent van Gogh, L'Arlésienne. Madame Ginoux with Books, c. 1888



Jean-Honoré Fragonard, The Reader, c. 1770-72

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sexta-feira, setembro 01, 2006

Férias!
Até que enfim.


Paul Cézanne, Les Marronniers et le bassin du Jas de Bouffan, 1874-75

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