sexta-feira, janeiro 20, 2006


Josef Sudek, Viaducto en Zuzkov, 1926

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quarta-feira, janeiro 11, 2006



Marc Couturier.
Mosteiro de Brou, à Bourg-en-Bresse, até 15 de Janeiro.


«Marc Couturier est un artiste irréel, intemporel, dont les oeuvres légères flottent hors du monde, sans matérialité, comme de purs esprits. Quoi de plus approprié au recueillement dans une église, au sens du sacré et de l'éternel qui vous saisit devant le tombeau de Marguerite d'Autriche ? Ses oeuvres sont disséminées dans l'église, le monastère, le musée, parfois un simple reflet, parfois une ligne, un signe, rien de plus, mais assez pour vous interroger, vous inciter à prier si vous avez la foi, à méditer en tout cas.»

in Amateur d'art, 06/01/2006

Fotog. do autor do blog Amateur d'art

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terça-feira, janeiro 03, 2006


Edward Ruscha, Golden Words, 1985



Edward Ruscha, 12am, (?)

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quarta-feira, dezembro 14, 2005

VER O MUNDO COM OS OLHOS DA ALMA

«SEGUIR EM FRENTE É IR LONGE.
IR LONGE É VOLTAR A CASA»

São estas as palavras que nos acolhem no site do Teatro O Bando





Em cena, encontra-se o Salário dos Poetas até 18 de Dezembro, próximo domingo.

«Baseado na obra "O Salário dos Poetas" de Ricardo Guilherme Dicke, este espectáculo é o relato bufo de um general, ex-ditador, que se encontra exilado num qualquer país da América Latina. No entanto, na sua cabeça ainda vive como outrora, fugindo dos fantasmas que transformou, cercado de medos e de memórias. Preso ao fio da vida pela ambição e pela recordação dos seus dias de poder.

texto Ricardo Guilherme Dicke | dramaturgia e encenação João Brites | assistência Amauri Tangará | direcção musical João Pimentel | interpretação Horácio Manuel, Romeu Benedicto, Gonçalo Amorim, Inês Rosado, Cláudia Chéu | uma co-produção com a CIA D'Artes do Brasil»

in http://www.obando.pt/



«"A morte, a podridão da carne e da alma humana, a divindade, o sangue, tudo isso faz parte dos elementos estetizados por Ricardo Guilherme Dicke, autor que une o bizarro e o filosófico a uma considerável cultura filosófica e religiosa."

"Em seus textos, céu e inferno se confundem, fazendo emergir um perturbado país transgressor para eleger o monstruoso como forma de vida. E, desreferenciados num mundo sem lei, os personagens dickeanos, sobreviventes do Sistema ou de si próprios, transitam entre o divino e o selvagem, o real e o surreal, sufocados pelo peso da existência."

"O tempo se torna metafísico, remetendo-nos ao illo in tempore, ou seja, à ausência de tempo, o que eleva os personagens ao estatuto de seres quase míticos, universais."

"Em consonância com as tendências do Pós-Modernismo, Ricardo Guilherme Dicke trabalha conteúdos arquetípicos, resgatando toda a trajetória da humanidade e questionando a existência humana. (...)"

"Finalmente há que se fazer referências à estrutura frásica dickeana, densa e grave. As frases longas, os parágrafos imensos retomam o modo de narrar analítico, discursivo, subordinativo e pesado, impondo-se ao leitor de modo quase que agressivo."

Hilda Gomes Magalhães - Doutorada pela Universidade de Sorbonne, Paris
in História da Literatura de Mato Grosso - Séc. XX



«(...) O que fazer no teatro para não pisarmos os mesmos caminhos calcados? Para problematizar os conteúdos contamos as histórias de uma maneira peculiar. Assumimos e expressamos contrastes e coincidências da cultura latino americana e europeia sem dispensar a memória da cultura africana. Queremos comunicar com o espectador através de uma contagiante ludicidade dramatúrgica. Desta vez, não são os actores que escolhem os personagens que vão assumir. São os personagens que escolhem os corpos dos actores sobre os quais vão descer. Quisemos que os quadros se sucedessem em alto contraste, sem meios-termos, ácidos, pueris, violentos, ridículos, obscenos. Afinal dessa intenção preliminar ficaram apenas uns breves momentos; porque o humor se sobrepôs quase sempre; porque talvez tenHA sido melhor assim. Fazer pouco deles é a nossa pequena vingança. Rirmo-nos da nossa impotência é uma projecção irónica do nosso desespero. "Os ossos não têm pátria, nem as fezes, nem os vómitos, talvez só as lágrimas e o suor."»

João Brites



«(...) O que não pode ser dito com poesia tem que ser dito com música»

Ricardo Guilherme Dicke in O Salário dos Poetas



«Quando as palavras são impotentes para descrever sentimentos ou imagens, poderá a música, linguagem genericamente abstracta, que nada significa além de si própria, revelar-nos o sofrimento e o martírio?
Que música pode descrever Jesus apunhalado nas costas pelo comerciante, ou o amor simples de Turíbio e Drusilla?
Serafim, o violinista cego, descrevia com música o mundo que via com os olhos da alma. Por isso, foi assassinado pelo general Barahona; porque também os monstros sabem que há coisas que apenas a música pode dizer e denunciar.
Mas para isso é preciso ver o mundo com os olhos da alma.»

João Pimentel



Obrigada pelo riso e pela emoção.
O Salário dos Poetas ficou-me na alma.

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terça-feira, dezembro 06, 2005


Edward Ruscha, Pole, 1986

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Edward Ruscha, Time Is Up, 1989

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Edward Ruscha, Untitled, 1989

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segunda-feira, dezembro 05, 2005


Gerhard Richter, Zwei Fiat, 1964

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sexta-feira, novembro 25, 2005


László Moholy-Nagy, Photogram (Fotogram), 1925

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quinta-feira, novembro 24, 2005

CONTINUUM









CONTINUUM, exposição de José Luís Neto.
Pode ser vista no Centro de Arte de Moderna até 31 de Dezembro de 2005.
(imagens retiradas do site do CAM)

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Charles Ebbets, Lunch Atop a Skyscraper, 1932

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domingo, outubro 23, 2005


Luísa R., S/ título, 2005


Construção

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado

Chico Buarque, 1971

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sexta-feira, outubro 14, 2005


George Segal, The Tightrope Walker, 1969

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