domingo, março 20, 2005


Gerhard Richter, Bühler Höhe (749-1), 1991

Gerhard Richter, Townscape Madrid (Stadtbild Madrid), 1968

Céu #11


Gerhard Richter, Seascape (Cloudy), 1969

domingo, março 13, 2005

A minha filosofia

"O desenvolvimento da minha filosofia aconteceu como segue: a minha mulher, tendo-me convidado para provar o seu primeiro soufflé, deixou cair uma colher dele no meu pé, fracturando vários ossinhos. Chamaram-se os médicos, tiraram-se e examinaram-se as radiografias e mandaram-me ir para a cama durante um mês. Durante a convalescença virei-me para as obras de alguns dos mais formidáveis pensadores da sociedade ocidental - um monte de livros que eu tinha posto de parte exactamente para uma destas eventualidades. Desprezando a ordem cronológica, comecei com Kierkegaard e Sartre, depois saltei rapidamente para Espinosa, Hume, Kafka e Camus. Não me chateei, como temia que acontecesse; pelo contrário, fiquei fascinado pela alacridade com que essas grandes inteligências abordavam sem tergiversar a moral, a arte, a ética, a vida e a morte. Lembro-me da minha reacção perante uma observação típicamente luminosa de Kierkegaard: «Uma tal relação que se relaciona a si consigo mesmo (quer dizer, com o Eu) tem de se ter construído a si própria ou ter sido constituída por outrem.» O conceito fez-me vir lágrimas aos olhos. Palavra de honra -pensei-, como ele é inteligente! (Eu sou um tipo que tem dificuldades em escrever duas frases inteligíveis sobre «o dia que passei no Jardim Zoológico».) Na verdade, a passagem era totalmente incompreensível para mim, mas que importava se Kierkegaard se tinha divertido a escrevê-la? Acreditando, de repente, que a metafísica era o trabalho que sempre desejara fazer, peguei na caneta e comecei de imediato a anotar a primeira das minhas póprias meditações. A obra desenvolveu-se com presteza, e no espaço de duas tardes -com um intervalo para uma soneca e para tentar meter umas bolinhas nos olhos do urso- completei a obra filosófica que desejo não seja revelada antes da minha morte ou até ao ano 3000 (o que acontecer primeiro) e que, modestamente, acredito que me assegurará um lugar de destaque entre os mais valorosos pensadores da História. Eis aqui uma simples amostra do corpo do tesouro intelectual que deixo à posteridade ou até que chegue a mulher da limpeza."

Woody Allen in Prosa Completa, Gradiva, 2004.

A ler n' A montanha mágica

sábado, março 12, 2005

Estou a gostar muito das memórias de bibliotecas do Abrupto.

quarta-feira, março 02, 2005

Céu #10


Gerhard Richter, Seapiece (Wave), 1969

segunda-feira, fevereiro 28, 2005

Desenho

Degas disait que «le dessin n'est pas la forme, il est la manière de voir la forme». Est-ce une formule que tu reprendrais facilement à ton compte et qui pourrait s'appliquer à l'éxposition que tu as organisée?
Je repartirais plutôt du commentaire que fait Valéry du dessin de Degas dans lequel il privilégie la gestualité: «Ou bien le désir de former de plus près l'image ébauchée dans l'esprit fait saisir le crayon et voici s'engager une étrange partie, parfois furieusement menée dans laquelle ce désir, le hasard, les souvenirs, la science et les inégales facilités qui sont dans la main, l'idée et l'instrument se combinent, font des échanges dont les traits, les ombres, les formes, les apparences d'êtres et de lieux, l'oeuvre enfin, sont les effets plus ou moins heureux, plus ou moins prévus... Il arrive que ce dessin d'invention enivre l'éxécutant, devienne une action forcenée qui se dévore elle-même, s'alimente, s'accélère, s'exaspère d'elle-même, un mouvement de fougue qui se hâte vers sa jouissance, vers la possession de ce qu'on veut voir. Tout l'arbitraire de l'esprit, comme tout le vide de l'espace à couvrir sont attaqués, envahis, occupés, par une nécessité de plus en plus précise et exigeante.» Qu'on envisage le dessin à partir de la forme ou à partir de la vision de la forme, que l'on privilégie le versant objectif ou subjectif du processus, on ne sort pas de l'hypothèse du dessin comme transposition ou traduction, à laquelle le regard servirait de vecteur. Et derrière l'idée du dessin comme transcription, il y a une hypothèse finaliste sous-jacente: il vise à rejoindre une forme déjà donée qu'elle soit mentale ou matérielle.(...)

Excerto da entrevista a Philippe-Alain Michaud, comissário da exposição «comme le rêve le dessin» (Centro Pompidou e Museu do Louvre, até 16 de Maio de 2005) in Art Press, nº 309, Fevereiro de 2005

Robert Morris, Blind Time V (19??)

Robert Morris, Blind Time III, 1985

Robert Morris, Blind Time II, Number 45, 1976

domingo, fevereiro 27, 2005


Paulo Brighenti, S/ título, 2001

Paulo Brighenti, S/ título, 2001

Paulo Brighenti, S/ título, 2001

Paulo Brighenti, S/ título, 2001