terça-feira, janeiro 25, 2005


Edward Hopper, Room in Brooklyn, 1932

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segunda-feira, janeiro 24, 2005

A Viagem na Cabeça

Do meu quarto andar sobre o infinito, no plausivel intimo da tarde que acontece, à janella para o começo das estrellas, meus sonhos vão por accordo de rythmo com distancia exposta para as viagens aos paizes incognitos, ou suppostos ou somente impossiveis.

Bernardo Soares in Livro do Desassossego, Lisboa, Ática, 1982, p. 130

Wiliam Kentridge, Zeno Writing II (man/woman), 2002

Andrew Wyeth, November First, 1950

Cy Twombly, s/ título, 1970
«A vida é a arte de tirar conclusões suficientes a partir de premissas insuficientes.»
Samuel Butler

domingo, janeiro 23, 2005


Edward Hopper, Compartment C, Car 193, 1938

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Do inefável

No sentido mais restrito, todos os conteúdos da consciência são inefáveis. Mesmo a mais simples das sensações é, na sua totalidade, indescritível. Toda a obra de arte precisa, portanto, de ser compreendida não só como uma coisa que é expressa, mas também como um certo tratamento do inefável. Na arte maior, temos sempre consciência de coisas que não podem ser ditas (regras de «decoro»), de contradições entre a expressão e a presença do inexprimível. Os mecanismos estilísticos são igualmente técnicas de fuga. Os mais poderosos elementos numa obra de arte são, muitas vezes, os seus silêncios.

Susan Sontag in Contra a Interpretação e outros ensaios, Lisboa, Gótica, 2004, p. 60

A primeira palavra

Acompanhando a recente curvatura da terra
o primeiro olhar descreveu a sua órbita
sobre as oliveiras. Só mais tarde
a pomba roubaria o ramo
e iria de árvore em árvore propagar a primavera
Foi então que os olhos se cruzaram
e estava dita a primeira palavra
à superfície do tempo

Ruy Belo in Todos os Poemas